Jovem preso por engano após ordem de sobrenomes ser trocada chorou ao saber que seria solto: 'ninguém deveria passar o que eu passei lá'

  • 16/03/2026
(Foto: Reprodução)
Jovem fica 13 dias preso por engano após erro em sobrenome no mandado de prisão O jovem de 23 anos que foi preso por engano após a ordem dos sobrenomes em um mandado de prisão ter sido trocada chegou a chorar ao saber que seria solto, segundo a advogada que o atendeu. Leonardo Cerqueira de Almeida foi abordado por policiais militares na rodoviária de Goiânia, que tinham em mãos o mandado com todos os dados dele, inclusive nome da mãe e o CPF. O real investigado, porém, se chamava Leonardo de Almeida Cerqueira. "Ninguém deveria passar o que eu passei lá. Foi uma coisa muito chata. A sensação é extremamente ruim de a pessoa ir presa por algo que ela não fez", afirmou Leonardo, em entrevista à TV Anhanguera. ✅ Clique aqui e siga o perfil do g1 Goiás no WhatsApp O caso aconteceu no dia 26 de fevereiro. O auxiliar de montagem voltava de Porto Alegre do Norte, no Mato Grosso, onde havia feito um trabalho, para a sua casa, em Teodoro Sampaio, no interior de São Paulo. O ônibus em que estava fazia baldeação em Goiânia quando aconteceu a prisão. Ele afirma que os policiais não lhe permitiram ligar para a família, um direito constitucional. Mesmo alegando inocência e dizendo que se tratava de um engano, ele foi conduzido à delegacia e, depois, para a penitenciária de Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana de Goiânia. O jovem só conseguiu ser solto, 14 dias depois, porque a advogada de um colega de cela soube da situação depois que o seu cliente ganhou liberdade. Em entrevista ao g1, Déborah Carolina Silva Pereira contou que tomou conhecimento do caso no dia 10 de março. Dois dias depois, Leonardo foi solto. Leonardo Cerqueira de Almeida, de 23 anos, foi preso por engano, em Goiânia, ao ter os sobrenomes trocados Reprodução/ TV Anhanguera LEIA TAMBÉM Homem denuncia que foi preso por engano após ordem de sobrenomes ser trocada Homem é solto da prisão por engano por ter o nome parecido com o de outro detento, em Goiás Universitária é quase presa por engano por ter nome parecido com o de suspeita de tráfico Mãe achou que fosse golpe Déborah conta que o seu cliente entrou em contato por telefone com a mãe de Leonardo, pois ele havia lhe dado o número dela. Mas ela não acreditou na história. "A mãe estava achando que era um golpe", contou. Por conta disso, a própria advogada decidiu ligar para ela, relatando a situação. Ao conseguir a foto de Leonardo no processo judicial e mostrá-la para a mãe, ela confirmou que se tratava do filho. A advogada, então, comunicou à Justiça de Minas Gerais, que reconheceu o erro e ordenou que Leonardo fosse solto. Depois, Déborah foi à penitenciária de Aparecida avisar ao Leonardo sobre a decisão. "Quando eu cheguei, ele estava muito assustado. Falei 'olha, eu já entrei com o pedido (de soltura) e o juiz já deferiu'. Aí, ele já começou a chorar", relatou. Déborah Carolina Silva Pereira percebeu o erro e comunicou à Justiça de Minas Gerais, que reconheceu e ordenou a soltura de Leonardo Reprodução/ TV Anhanguera 'Não conheço Minas' O mandado de prisão, expedido pela Justiça de Minas Gerais, se referia a uma investigação pelo crime de tráfico de drogas, que teria sido praticado na cidade de Prata, no Triângulo Mineiro. Quando passou pela audiência de custódia, Leonardo continuou afirmando a sua inocência. Disse, ainda, que nunca havia ido ao estado. "Não conheço. Não conheço os interiores, não conheço Minas", afirmou. O jovem estava acompanhado de um defensor púbico, que não percebeu o erro. Em nota, a Defensoria Pública de Goiás afirmou que no mandado constava o nome dele, além dos seus dados pessoais, todos confirmados por ele durante a audiência. Disse também que, como o processo tinha origem em Minas Gerais, somente no juízo de lá poderiam ser questionadas ou identificadas eventuais inconsistências (leia a íntegra da nota ao final da reportagem). Ao ser levado à penitenciária, Leonardo continuou afirmando a sua inocência, inclusive para os outros presos, que faziam piadas da situação. "Os presos zombaram, falando que lá todo mundo era inocente, como se eu estivesse mentindo", disse Leonardo, em entrevista à TV Anhanguera. 'Constrangimento ilegal' Em sua decisão pela soltura de Leonardo, a juíza Lorena Frederico Soares, da comarca de Prata do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), disse que houve "erro material na expedição do mandado de prisão". "Impõe-se a imediata correção da irregularidade, a fim de fazer cessar o evidente constrangimento ilegal", determinou a juíza. No mesmo dia, 12 de março, no final da tarde, Leonardo deixou a prisão. Para a advogada Déborah, o erro aconteceu na expedição do mandado de prisão por parte do cartório, uma vez que a própria ordem judicial, de 2024, que converteu a prisão em flagrante do real investigado em preventiva, estava com os dados corretos, do verdadeiro alvo da Justiça. Em nota enviada ao g1, o TJMG afirmou que o caso está em fase de apuração interna para o completo esclarecimento dos fatos. A Polícia Penal de Goiás informou, por meio de nota, que faz a inclusão das pessoas presas nos sistemas prisionais após a devida identificação civil e/ou criminal feita pela autoridade policial, assim como a realização de audiência de custódia (leia a íntegra da nota ao final da reportagem). Também por nota, a Polícia Militar de Goiás disse que a formalização da prisão e a garantia de comunicação do conduzido com familiares e advogado "são asseguradas no momento da apresentação à autoridade policial na delegacia, conforme previsto na legislação" (leia a íntegra da nota ao final da reportagem). Leia a íntegra da nota da Defensoria Pública: "A Defensoria Pública do Estado de Goiás informa que representou Leonardo Cerqueira de Almeida em audiência de custódia relativa a um mandado de prisão expedido pelo TJMG. No mandado constavam o nome do assistido, bem como seus dados pessoais (nome da mãe e documentação), o que foi confirmado por ele naquele ato. Uma vez que o processo tinha origem em Minas Gerais, somente no juízo daquele local poderia ser questionado ou identificadas eventuais inconsistências. Isso porque, nestes casos de cumprimento de mandado de prisão, a audiência de custódia possibilita somente verificar se a ordem foi cumprida de forma regular". Leia a íntegra da nota da Polícia Penal de Goiás: "A Polícia Penal de Goiás informa: - A Polícia Penal faz a inclusão das pessoas presas nos sistemas prisionais após a devida identificação civil e/ou criminal feita pela autoridade policial, bem como a realização de audiência de custódia. - A Polícia Penal reforça que os mandados de prisão só são cumpridos quando suas informações estão de acordo com as informações constantes no documento de identificação civil e/ou criminal. - Eventuais erros devem ser corrigidos, e a Polícia Penal atualiza seus procedimentos costumeiramente, de modo a evitar falhas no que cabem como responsabilidade da instituição". Leia a íntegra da nota da Polícia Militar de Goiás: "A Polícia Militar do Estado de Goiás informa que o cumprimento de mandados de prisão é realizado em estrita observância à legislação vigente e aos protocolos operacionais da corporação. No caso citado, a atuação policial baseou-se nas informações constantes no mandado de prisão expedido pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, órgão responsável pelo cadastramento dos dados no sistema. Durante a abordagem e a condução, a prioridade da equipe é a segurança da ocorrência. A formalização da prisão e a garantia de comunicação do conduzido com familiares e advogado são asseguradas no momento da apresentação à autoridade policial na delegacia, conforme previsto na legislação. A Polícia Militar de Goiás reafirma que atua dentro dos limites legais e mantém compromisso permanente com a legalidade, a transparência e o respeito aos direitos fundamentais". 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás.

FONTE: https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2026/03/16/jovem-preso-por-engano-apos-ordem-de-sobrenomes-ser-trocada-chorou-ao-saber-que-seria-solto-ninguem-deveria-passar-o-que-eu-passei-la.ghtml


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